Travar duas faixas na mesma velocidade e na mesma batida é a base de qualquer mixagem, e dá pra chegar lá de três jeitos diferentes. O canal Off The Rack Jack, do DJ inglês Jack, mostra as três técnicas numa controladora Pioneer DDJ-FLX4 e explica o que cada uma entrega.
- Como ajustar o tempo de uma faixa na mão, com o fader de pitch e o jog wheel
- Como funciona o BPM sync e por que ele resolve só a velocidade, não o encaixe da batida
- Como o beat sync trava velocidade e batida ao mesmo tempo, e o que se perde ao usar ele
- Por que o beat grid errado estraga qualquer um dos três métodos
NA MÃO, COM O FADER DE PITCH E O JOG WHEEL
É o jeito mais tradicional. Primeiro você aproxima o BPM das duas faixas pelo fader de pitch, olhando os números no software. Depois, com as duas tocando, usa a lateral do jog wheel para encaixar as batidas: girar no sentido horário acelera a faixa, girar no sentido anti-horário desacelera. Nunca tocar no topo do prato, porque ali ele para a faixa como um vinil. A vantagem de treinar assim é que o ouvido aprende a reconhecer quando duas batidas estão fora de tempo e quanto falta pra elas se encaixarem, o que ajuda em qualquer um dos outros métodos depois.
BPM SYNC
Com o BPM sync ativado, o software faz a faixa que não está tocando pro público (a que não é a faixa master) saltar direto pro BPM da faixa master. Isso evita o trabalho de ajustar o pitch manualmente, mas resolve só a velocidade: as batidas ainda podem cair fora de tempo, e você continua precisando usar o jog wheel pra alinhar o início de cada batida.
BEAT SYNC
O beat sync vai um passo além: além de igualar o BPM, ele também encaixa a batida no momento em que você aperta o play, sem precisar tocar no jog wheel. É o método mais rápido e mais usado em pista, principalmente em transições feitas sob pressão. O lado negativo é que ele tira o controle fino da mão do DJ e pode soar mecânico pra quem prefere o ajuste manual.
Nenhum dos três métodos funciona se o beat grid da faixa (a marcação que o software faz em cada batida) estiver errado. Beat grid torto puxa errado não só o sync, mas também hot cues, loops e qualquer efeito amarrado ao tempo da faixa. Antes de confiar em sync, vale abrir a faixa no software e confirmar se a linha do beat grid está realmente caindo em cima do bumbo.
Nos cursos da N9VE o beatmatch manual entra antes de qualquer sync, porque é ele que treina o ouvido a perceber o que o sync faz por trás. Um exercício simples pra praticar em casa: pegue duas faixas do mesmo BPM, desligue qualquer sync e passe 10 minutos só ajustando o encaixe pelo jog wheel, sem olhar pro visual da forma de onda. Depois disso, ligue o beat sync e sinta a diferença no tempo de reação. Quem já tem o ouvido treinado usa o sync como ferramenta de velocidade em pista cheia, não como atalho pra pular a prática.
Vídeo de Off The Rack Jack. Todos os direitos reservados ao criador. Assista e siga: @offtherackjack e no Instagram @offtherackjack.



