Quando surgiu, em 2020, o trio Black Rave Culture, formado por Amal, James Bangura e Nativesun, de Washington DC, parecia traçar uma linha no território: era o verão do descontentamento em que o mundo começava a encarar relações raciais arraigadas, e havia a sensação de que a cultura estava à beira de uma transformação. Misturando músicas de diferentes pontos da diáspora negra, o grupo tinha a intenção explícita de resgatar a música de dança do processo de gentrificação que vinha acontecendo globalmente. Até o próprio nome, Black Rave Culture, soou como uma postura radical.

Esse momento de mudança, porém, não se concretizou. Seis anos depois, o texto observa, houve retrocessos, com a amplificação de políticas reacionárias em vários lugares. Ainda assim, a visão política do coletivo não perdeu força. O lançamento mais recente, 'Black Rave Culture Vol. 4', é apresentado como prova de que os sons da diáspora negra continuam potentes.

'Black Rave Culture Vol. 4' é descrito como uma celebração da música de dança negra em suas várias formas. A compilação percorre do groove de verão e bounce de house em 'Smoke Em Out' ao swing dubby e sincopado de 'Herengracht', passando pelos breaks comprimidos ao estilo East Coast em 'Urban Classix'.

O leque sonoro é amplo: o coletivo incorpora footwork em 'Geekin' e mistura amapiano com UK garage em 'Fried Behavior'. O texto também recomenda ouvir a versão VIP de 'Fried Behavior', onde a combinação de baile funk com uma house mais sedutora aparece com destaque.

Além do aspecto musical, a compilação funciona como resposta a quem defende que 'política não tem lugar na música de dança' ou que 'é só sobre a música'. Black Rave Culture segue lembrando que a música de dança sempre foi um espaço de política negra.



