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InMusic compra a Native Instruments: e agora, o futuro do Traktor?

A InMusic assinou acordo definitivo para adquirir a Native Instruments, incluindo Traktor, Maschine e Komplete. O anúncio garante continuidade dos produtos, mas abre dúvidas sobre investimento e prioridades da nova dona.

Por N9VE Escola de DJs•16 de outubro de 2026
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InMusic compra a Native Instruments: e agora, o futuro do Traktor?

A InMusic Brands, controladora de marcas como Akai Professional, Denon DJ, Numark, Rane, M-Audio, Moog e Engine DJ, assinou um acordo definitivo para adquirir a Native Instruments (NI) na íntegra. A compra inclui Traktor, Maschine, Komplete, Kontakt, Reaktor e o conjunto de marcas que a NI absorveu nos últimos anos, como iZotope, Plugin Alliance e Brainworx. O acordo foi assinado em Superbooth, em Berlim, e anunciado pelo CEO da NI, Nick Williams.

A aproximação entre as empresas já vinha de antes. Em 2025 houve parceria de integração que trouxe suporte NKS aos teclados da Akai e M-Audio e colocou sons da NI na plataforma MPC standalone. Williams descreveu essa colaboração de 2025 como “o começo desta história”. O negócio desta semana formaliza e amplia essa relação.

Do ponto de vista financeiro, a aquisição tem características de um resgate. A NI entrou em processos preliminares de administração em janeiro, e relatórios citados na cobertura indicam que a empresa carregava cerca de £250 milhões em dívida contra aproximadamente £25 milhões de receita anual. Peter Kirn, do CDM, comentou que a avaliação atual está muito abaixo da de alguns anos atrás, indicando que a InMusic provavelmente fez um bom negócio.

Para usuários da NI, a leitura imediata é clara: os produtos continuam. O anúncio de Williams garante que plataformas e equipes seguem ativas, com suporte e desenvolvimento continuando nas próximas semanas. Cortes são prováveis, mas as marcas devem permanecer operando, algo que a InMusic já fez em aquisições anteriores no mercado de DJ.

Foto: DJ TechTools
O MERCADO DE EQUIPAMENTOS PARA DJ SE CONSOLIDA

A InMusic vem acumulando marcas de DJ há anos: Numark, Denon DJ, Rane e SoundSwitch, entre outras. A estratégia tem como objetivo reduzir a vantagem da AlphaTheta (Pioneer DJ) nas cabines profissionais. Na prática, porém, Pioneer/Rekordbox ainda domina clubes e festivais em 2026. Denon Prime aparece em ambientes móveis e domésticos, mas o padrão de mercado permanece nas CDJs e mixers da AlphaTheta.

A inclusão do Traktor é a jogada mais interessante da InMusic nos últimos anos. Traktor oferece um software com história e aceitação entre DJs de ponta, e poderia servir como bandeira ao lado do Engine DJ. Ainda assim, num contexto de desenvolvimento dominado por IA, software em si tende a valer menos; itens como hardware integrado, reputação de marca e base de usuários podem ser ativos mais valiosos.

CRÍTICAS À CAMPANHA DA DENON DJ

Alguns pontos críticos merecem atenção antes de celebrar o negócio. Primeiro, a aderência ao software: Engine DJ evoluiu em recursos como biblioteca na nuvem e integração com SoundSwitch, mas Serato e Rekordbox ainda dominam a mente dos DJs. Segundo, o ecossistema: a AlphaTheta construiu um 'fosso' ao levar usuários de controladores de entrada até setups profissionais e receitas por assinatura. Terceiro, confiabilidade de hardware: relatos de técnicos e locadoras indicavam problemas de durabilidade em equipamentos Denon, embora esses comentários também tenham sido direcionados a modelos da Pioneer em iterações anteriores. Há espaço no mercado para hardware robusto, reparável e de boa construção.

Foto: DJ TechTools
TRAKTOR NA DÉCADA DE BAIXA VISIBILIDADE

Traktor já foi ponto de referência em recursos inovadores: Stems, remix decks, mapeamento MIDI avançado, e hardware como Z2 e S8. Nos últimos cinco a seis anos, porém, a plataforma perdeu fôlego. Rumores sobre mudanças de propriedade, demissões e roteiros incertos se repetiram na NI. O controlador Kontrol S4 MK3 é de 2018; outras linhas receberam atualizações modestas. O Traktor Pro 4 trouxe stems e um pattern player, mas concorrentes como o Algoriddim djay já haviam implementado recursos similares em outras plataformas.

A InMusic herda tanto pontos fortes quanto 'manutenção adiada': um software com DNA forte e hardware cult, mas um flagship sem atualização relevante há anos e um software que perdeu a liderança técnica.

AMBAS AS EMPRESAS SE AFASTARAM DO HARDWARE PRO

Há um padrão: NI e InMusic recuaram do mercado de hardware modular profissional. Na InMusic, as tentativas como SC6000/SC6000M desapareceram e o foco mudou para all-in-ones como Prime 4+ e Prime Go+, produtos mais orientados a DJs móveis. Na NI, controladores dedicados como D2 e F1 saíram de linha, mixers como Z2 ficaram sem produção e a S8 sumiu do catálogo. Restam controladores mais voltados ao consumidor e ao entry-level, além do S4 MK3 envelhecido. Isso indica uma economia que favorece volumes e margens maiores em produtos para mobile/bedroom, enquanto competir com a AlphaTheta no booth profissional segue difícil.

Foto: Denon DJ
MACHINE MEETS MPC: ONDE O ACORDO PODE DAR LUCRO

No lado de produção, a combinação faz sentido comercial. Akai (MPC) e Native Instruments (Maschine) atendem públicos leais e concorrentes; poucos usuários devem migrar entre plataformas. O ganho provável é na integração de software: já houve NKS no MPC. Espera-se acelerar a presença de plugins do Plugin Alliance e Brainworx em hardware Akai, maior integração de Komplete Kontrol em fluxo de trabalho MPC e a chegada de ferramentas da iZotope em dispositivos InMusic. Esses movimentos de cross-pollination tendem a gerar receita e devem ocorrer rapidamente.

Uma sobreposição de linhas também merece atenção: M-Audio, Akai e NI têm teclados MIDI. A possibilidade de consolidação entre essas linhas foi levantada na cobertura do caso, com M-Audio apontada como candidata a ser reduzida.

PARALELO COM A NEGOCIAÇÃO DA SERATO

A aquisição remete a rumores antigos. InMusic entrou em conversas sobre a Serato há mais de uma década, e a AlphaTheta tentou comprar a empresa no ano anterior, mas foi barrada pela comissão de comércio da Nova Zelândia. Em abril de 2025, a Tiny ficou com 66% da Serato. Com a NI agora sob a InMusic, três plataformas de software de DJ tradicionais passaram por grandes mudanças de propriedade em cerca de dois anos: Serato, Native Instruments e o lado rekordbox via movimentos corporativos da AlphaTheta.

Foto: Denon DJ

A era das empresas de software de DJ controladas pelos fundadores parece ter terminado. O substituto são empresas controladoras e capitais externos, o que reduz opções independentemente de melhorias. A matéria lembra que projetos open-source como o Mixxx continuam em desenvolvimento ativo.

OPINIÃO DO AUTOR

O autor quer que o acordo funcione. A NI estava em apuros e um comprador com histórico em tecnologia musical é preferível a um fundo que só tente lucrar rápido ou liquidar ativos. A InMusic costuma manter marcas vivas, Moog, Numark e Rane seguem no mercado. Ainda assim, há diferença entre manter uma marca e investir para avançar. A questão fundamental é se a InMusic alocará engenharia e recursos para reconstruir o Traktor como líder de categoria e voltar ao hardware profissional, ou se manterá Traktor em modo de manutenção enquanto o Engine DJ recebe atenção prioritária.

No front da produção, Maschine e Komplete parecem um caminho mais seguro para investimento, com integração entre MPC e Maschine provável sem fusão de bases de usuários. Para a cabine profissional, a AlphaTheta continua dominante. A InMusic pode optar por preservar Traktor e buscar um nicho próprio, em vez de enfrentar diretamente o domínio das CDJs nos principais palcos.