Ajustar grade de batida na mão em faixa que varia de andamento é um dos trabalhos mais chatos de preparar biblioteca. O canal espanhol Portal DJ testou o Lucid Beatgrids, recurso novo da beta do Serato DJ 5.0, pra ver se ele realmente resolve isso.
- O que é o Lucid Beatgrids e por que ele existe na beta do Serato DJ 5.0
- Como ativar a grade flexível em faixas antigas e novas
- O que acontece quando o software encontra mudança de andamento no meio da faixa
- Em quais situações a análise automática falha e pode travar seu sync
- Por que ainda não é hora de confiar nela num show de verdade
Até a versão 4.0, o Serato lia a faixa inteira e cravava um único BPM fixo pra ela, mesmo quando o andamento mudava no meio do caminho. Isso obrigava o DJ a editar a grade manualmente sempre que ia mixar uma faixa que acelera, desacelera ou tem uma pausa sem bateria. O Lucid Beatgrids muda essa lógica: ele lê a faixa inteira e marca, com etiquetas visuais na waveform, cada ponto em que o andamento muda.
Pra ativar em faixa que já está na biblioteca, basta clicar com o botão direito, ir em "set beatgrid" e escolher "set flexible beatgrid". O software reanalisa e passa a mostrar marcadores de tempo nos trechos onde o BPM sobe ou desce, em vez de forçar uma média única.
No teste com faixas reais, o recurso segurou bem andamentos que sobem de 100 para 120 BPM e de 80 para 125 BPM, acompanhando a virada sem perder a batida. Em faixas mais traiçoeiras, com oscilação constante entre 129 e 131 BPM, ele seguiu cada variação até o final da faixa, só errando a contagem do tempo forte em um ponto, corrigido com um clique.
Em faixa com pausa sem bateria e salto brusco de velocidade, a grade manteve as batidas certas mas perdeu a contagem de compasso durante o silêncio, algo que outros softwares do mercado ainda resolvem melhor nesse tipo de trecho específico.
O teste mais puxado, com uma faixa que desacelera quase até zero e depois acelera de novo, revelou o bug mais perigoso: em um trecho rápido, o software marcou 242 BPM. Se o sync estiver ativado pra travar numa faixa assim, o mix trava e a mixagem quebra na hora.
Outro ponto de atenção: usar os botões de dobrar ou dividir o BPM, ou alterar certas opções de editor, apaga a análise flexível e devolve a faixa pro modo de tempo único e rígido, sem aviso. Vale checar a grade de novo depois de qualquer ajuste manual desse tipo.
Por ser uma beta de desenvolvimento, o próprio canal reforça que não é recomendado confiar nela pra tocar num evento ainda. O ideal é testar em faixas da sua biblioteca, nos horários livres, antes de levar pra cabine.
Se você usa Serato DJ, vale separar um horário de treino só pra isso: escolha de três a cinco faixas da sua biblioteca que você sabe que têm variação de andamento (clássicas de disco, funk ou faixas com breaks são boas candidatas) e reanalise cada uma com o flexible beatgrid. Observe onde o programa marca a mudança de tempo e compare com o que você escuta no fone.
Depois, simule uma transição com o sync ligado pra essas faixas e preste atenção se o BPM mostrado na tela faz sentido. Se aparecer um número fora da realidade da música, como os 242 BPM do teste, desligue o sync pra essa faixa e volte a mixar de ouvido, pela orelha, como se aprende nas aulas de beatmatch da N9VE. Ferramenta nova ajuda, mas não substitui saber ouvir onde está o tempo forte.
Vídeo de Portal DJ. Todos os direitos reservados ao criador. Assista e siga: @PortalDJ.



