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Passei o festival Head Trip inteiro no Sunflower Sound System de Floating Points, e por que valeu a pena

O Sunflower Sound System, sistema de alto-falantes idealizado por Floating Points, foi o destaque técnico e musical do Head Trip 2026, oferecendo uma experiência sonora íntima e preciosa enquanto a maioria do público seguia para o palco principal.

Por N9VE Escola de DJs•25 de outubro de 2026
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Passei o festival Head Trip inteiro no Sunflower Sound System de Floating Points, e por que valeu a pena

Havia muito menos gente no Head Trip do que eu esperava. Passei a maior parte do fim de semana dentro do Sunflower Sound System e só peguei fila para entrar duas vezes, ambas no início do dia. Mesmo sendo a primeira vez que o sistema hi‑fi customizado de Floating Points desembarcou na América do Norte, quando os grandes nomes tocaram no palco principal foi ali que a maioria correu.

A EXPERIÊNCIA SONORA

Para muita gente que conversei, Sunflower era desconhecido ou uma “sidequest” que renderia apenas uma passagem, poucos repararam na qualidade sonora. Mas o conjunto de oito torres de 14 pés soava tangível. Sam Shepherd, conhecido como Floating Points, passou uma década viajando pelo mundo atrás dos componentes certos para montar o sistema que queria. Em Head Trip, o próprio festival promoveu o som como atração principal, e isso fazia sentido: o que saía daqueles alto‑falantes parecia real e presente.

O LINEUP CURADO

Floating Points escolheu a programação do espaço. No primeiro dia tocaram Mad Professor, Theo Parrish e "Floating Points and Friends", explorando cantos distantes da música. Mad Professor montou um set ao vivo com mesa de som e máquinas de fita analógica, apresentando versões dub de hits como Billie Jean e I Shot the Sheriff. Theo Parrish passou horas revirando vinil, do funk ao jazz livre. No segundo dia, a noite virou rave: Zach Cowie, Ben UFO, Avalon Emerson, Eris Drew & Octo Octa tocaram, e houve fechamentos em B2B com Four Tet e Floating Points, além de Ben UFO com Emerson.

Foto: MusicTech
REAÇÕES DE QUEM ESTEVE LÁ

Avalon Emerson, que tocou no Sunflower em Head Trip e em Glastonbury em 2025, ressaltou que o som é o que mais importa e que a experiência do sistema é outra forma de dançar. Jacques Vincent foi ao festival principalmente para ver Sunflower e chamou a qualidade sonora de “incrível”. Jess Xanthe passou o fim de semana inteiro no Sunflower e disse que a experiência do Head Trip superou a do Dekmantel em termos de sala dedicada ao som.

A INFRAESTRUTURA DO FESTIVAL

Head Trip foi produzido pela Goldenvoice, a mesma promotora por trás do Coachella. A empresa já tem experiência em montar estruturas temporárias para sistemas sonoros: o Coachella abriga a tenda Yuma e já recebeu duas edições do Despacio, sistema customizado McIntosh idealizado por James Murphy e os irmãos Dewaele. A sala do Head Trip teve, segundo relatos, uma montagem de som e ambiente muito bem resolvida.

Foto: MusicTech
O SETUP E O CONTROLE

Os DJs que tocaram receberam um PDF com instruções detalhadas de como tirar o melhor som do sistema. Shepherd também selecionou o equipamento da sala, incluindo seu mixer rotativo Isonoe. Emerson descreveu o mixer como um brinquedo novo: embora muitas casas tenham mixers rotativos escondidos, ela ficou feliz por ter sido orientada a usá‑lo e aproveitou para tocar um set mais lento, reduzindo de 130 bpm para 90 bpm e apostando em faixas como trabalhos de Todd Terje e uma música nova de Oklou.

A PISTA E A ATMOSFERA

Mesmo com a maior parte do público preferindo o impacto do rig L‑Acoustics do palco principal, o Sunflower comprovou o poder de um espaço raro que reúne pessoas com a mesma intenção: dançar ao som mais puro. Dentro da sala, sem empurra‑empurra e sem superlotação, o público ouviu faixas remexidas ao vivo e sets que dificilmente seriam reproduzidos igual. Havia também pequenas atrações visuais, como um show de fantoches, e áreas práticas, um bar e banheiros acessíveis sem precisar perder o espaço na fila.

Foto: MusicTech
COMPARAÇÕES E IMPRESSÕES FINAIS

Alguns frequentadores, como Adam Doubleyou e Kellie Kocher, haviam visto o Despacio em outros festivais e foram a Head Trip especificamente para conferir o Sunflower. Para Kocher, a surpresa foi o que tornava o espaço especial: a possibilidade de ser surpreendido com algo novo, sem horários de set divulgados, foi parte do apelo. Apesar de me desapontar um pouco que as filas não tenham sido maiores, lembrando as enormes filas do Despacio em Portola, isso só evidenciou que quem estava ali tinha vindo intencionalmente para aquela experiência.

No fim das contas, com a maioria do público dispersa pelo palco principal, a energia dentro do Sunflower foi intensa justamente porque todos ali compartilhavam um mesmo objetivo: dançar ao som mais primoroso que encontraram no festival. A experiência foi relatada como rara, técnica e profundamente musical por quem se permitiu ficar dentro do sistema por mais tempo.

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