Duas horas de descida, rapel, tirolesa e 419 metros de rocha acima da cabeça. Foi assim que um pequeno grupo chegou à pista de dança mais funda que se tem notícia: uma câmara da mina de ardósia de Cwmorthin, no parque nacional de Eryri (Snowdonia), no País de Gales, onde @ronisizebristol tocou na quinta-feira, 15 de outubro, numa tentativa de recorde de "rave mais profunda do mundo".
O lendário DJ e produtor de Bristol, nome central do drum and bass e líder do Reprazent, fez um set de cerca de uma hora a 1.375 pés (cerca de 419 metros) abaixo da superfície. A ação foi montada pela G-SHOCK, da Casio, junto com a Go Below, empresa de aventura que opera a mina, para lançar o relógio MUDMAN (GWG-B1000).
Não teve elevador. Quem quis ver de perto precisou encarar quase duas horas de túneis escuros: um rapel de 30 metros logo no começo, passagens alagadas, uma tirolesa e uma escadaria antiga de mineiros até a câmara final. Todo mundo de capacete, bota e cadeirinha de escalada. A regra de segurança era simples: se se perder, senta e espera o resgate. A mina tem centenas de túneis distribuídos em 12 níveis.
Só cinco pessoas do público desceram, sorteadas entre mais de 4 mil inscritos. O restante da pista era formado pela equipe que montou o evento.

Para quem pensa em tocar em lugar fora do comum, essa é a parte mais interessante. Durante 48 horas, um time de 18 pessoas carregou nas costas, em mochilas, tudo o que o show precisava: som, luz, câmeras e baterias, fazendo a descida e a subida várias vezes.
O volume ficou limitado a 85 dB. Segundo os guias da mina, a ardósia absorve o som de um jeito diferente de outras rochas e seria preciso passar de 140 dB para haver risco de desmoronamento. A pista era uma faixa estreita entre um lago subterrâneo e um paredão, num salão com teto que some no escuro.
A ideia também era um experimento de som: geofones e hidrofones captaram como as frequências viajavam pela ardósia, pela lama e pela água, e essa resposta da mina voltou para dentro da mixagem ao vivo.

O aquecimento ficou com o DJ Nav, da G-SHOCK Radio. Antes de Roni subir, o hino nacional galês tocou na câmara. Ele abriu com uma faixa atmosférica, com uma fala que celebra Bristol como berço da música e da arte faça-você-mesmo, e depois veio uma hora de drum and bass para uma pista de capacete azul.
Para Roni, tocar debaixo da terra lembra o começo em Bristol, quando ele e os amigos faziam festa onde desse. Ele definiu a experiência como a mais underground das raves underground.


O título de "rave mais profunda" ainda depende de verificação independente. Para comparar: o recorde oficial de show ao vivo mais profundo é de 2024, numa mina no Canadá, a mais de 2.700 metros, mas lá o público desceu de elevador. Em Cwmorthin tudo foi feito a pé, o que muda bastante o tamanho do desafio.
A mina em si tem história: começou a ser explorada em 1810 para fornecer ardósia aos telhados das cidades britânicas, fechou nos anos 1970 e hoje recebe expedições guiadas e até o Deep Sleep, um "hotel" com cabanas a centenas de metros de profundidade.
O set foi transmitido ao vivo pela G-SHOCK Radio e está completo no Mixcloud:
Em junho de 2027, Roni Size Reprazent faz uma turnê de nove datas pelo Reino Unido para comemorar os 30 anos de New Forms, disco que ganhou o Mercury Prize em 1997, tocado com banda completa. A última data é em 25 de junho, no anfiteatro de Canons Marsh, em Bristol. Acompanhe as novidades no Instagram do artista: @ronisizebristol.



