Tschabalala Self constrói pinturas e esculturas de figuras negras que parecem existir por si, não para o olhar alheio. Usando tinta, tecidos e materiais descartados, ela cria uma linguagem visual que conversa com estereótipos e tropos culturais, mas também revela uma interioridade complexa que escapa às leituras simplistas.

Para Self, a produção artística é uma prática semelhante a hábitos de saúde: algo a ser cultivado diariamente e que funciona como catarse e cura. Mesmo em períodos difíceis, ela mantém a produção porque a prática em si é necessária para seu bem-estar.

A artista afirma que preserva uma separação entre o eu íntimo e a obra. Ela explica que, embora deixe tudo sobre a mesa na criação para que a peça transmita ideias do momento, não expõe completamente sua vida pessoal ao público. Essa distância permite objetividade e evita que a arte seja reduzida a uma extensão do ego.

Self reconhece que a obra trata de sua identidade, mas ressalta que sua experiência não pode definir a totalidade da Blackness ou da condição de mulher negra. Ela usa estereótipos como ferramentas culturais para dialogar com o zeitgeist, procurando falar de sua verdade sem se subordinar às leituras sociais impostas.

Ao revisar sua trajetória, Self diria à jovem artista que a prática será a constante mais firme da vida e que deve ser nutrida como um presente a ser compartilhado. A entrevistadora conecta essa ideia à noção clássica de 'gênio' como um dom que deve ser partilhado, ligando prática e generosidade.

Comentando a série Bodega Run, Self explica que observa a vida cotidiana e retém gestos, expressões e hábitos que viram imagens. O bodega nova-iorquino, diz ela, é um lugar comum com carga política e sócio-histórica particular que gerou toda uma série de trabalhos.

Embora sua obra seja frequentemente situada em centros urbanos como Harlem e Nova York, Self reconhece a influência das raízes familiares no Sul dos EUA. Seus pais têm origem em New Orleans e avós vêm de lugares rurais do Mississippi e da Louisiana, um passado que alimenta uma fantasia sulista presente no trabalho.

Perguntada sobre legado, Tschabalala Self afirma que gostaria de ser lembrada como alguém sincera e generosa. Para ela, dizer a verdade e dedicar-se de fato à prática artística são princípios centrais de sua atuação.




