O canal DJ Carlo passou um bom tempo com a Hercules DJControl T10, a nova controladora de battle da marca, e fechou o teste com uma opinião que ele mesmo não esperava ter. O vídeo mostra o que funciona, o que ainda deixa a desejar e onde essa controladora de 399 dólares realmente compete com nomes como Pioneer DJ Rev7 e Rane One MK2.
- Como funciona o Indux, o primeiro crossfader sem contato da Hercules
- O que é o Stem Split e por que ele muda o jeito de brincar com vocal e instrumental
- Por que uma plataforma maior pode valer mais que o motor direct drive
- Como o layout do mixer dessa controladora se compara ao DJM-S9
- O que considerar antes de trocar sua controladora atual por essa
A primeira coisa que chama atenção é o crossfader Indux, desenvolvido pela própria Hercules em parceria com a Innofader. Em vez de contatos físicos, ele usa indução eletromagnética para captar a posição do fader, o que elimina o desgaste mecânico que some com crossfaders convencionais depois de muito scratch. Dá para ajustar peso, curva, corte e até inverter a direção direto pelo painel da controladora, sem precisar abrir nada.
O outro destaque é o Stem Split, feito em parceria com o Serato. A ideia parte do slip mode que já existe há anos em softwares de DJ, mas aqui ela é aplicada separadamente a cada stem. Dá para isolar vocal e instrumental de uma faixa e manipular cada parte de forma independente, abrindo um tipo de criatividade que vai além do corta e volta tradicional. É um recurso denso, que pede prática antes de virar hábito na pista.
A T10 traz duas plataformas motorizadas de 10 polegadas com vinil de verdade por cima, maiores que as 7 polegadas da Rev7 e as 7,2 polegadas da Rane One MK2. O sistema usa motor brushless com correia, sensor de rotação em tempo real e microcontrolador corrigindo o movimento continuamente, com torque de partida de 0,16 Newton metro e resposta total de velocidade em menos de 100 milissegundos.
DJ Carlo entrou no teste defendendo o direct drive como sempre superior, mas mudou de ideia depois de usar a T10 para scratch e juggling: a área maior de contato dá mais espaço para manipular o disco, mesmo sem a resposta idêntica de um direct drive. Quem vem de equipamento direct drive vai precisar ajustar a pressão da mão nos primeiros dias.
O layout do mixer segue a linha battle que a Hercules já usava, só que mais refinado, puxando a inspiração de mixers como o DJM-S9: paddles de efeito, controles de loop dedicados com entrada e saída separadas, e botões de cue de fone em cada canal. Na parte de trás, dois conectores USB-C permitem que dois DJs conectem o laptop ao mesmo tempo, o que facilita a troca em b2b sem precisar desconectar cabos no meio do set, e um dos USB-C também manda o áudio master da controladora direto para outro aparelho, útil para quem grava vídeo do set sem precisar de gravador externo.
Mesmo com duas plataformas motorizadas de 10 polegadas, a T10 pesa 16,1 libras (cerca de 7,3 kg), contra 13,6 libras da Rev7 e 24,5 libras da Rane One MK2. A construção é mais leve que a concorrência, o que facilita o transporte, mas também significa menos sensação de robustez na mão perto de modelos mais caros.
Antes de trocar de controladora só pelo tamanho da plataforma, vale testar na loja ou com um amigo que já tem o equipamento: scratch e juggling dependem muito da sensação na mão, e isso varia de pessoa para pessoa. Se você já treina scratch em algo direct drive, reserve uma sessão de uns 10 minutos só para reaprender a pressão da mão numa plataforma belt drive antes de tentar rotinas mais rápidas.
O Stem Split é um bom exemplo de recurso que parece simples no vídeo mas exige repetição: separe uma faixa que você já conhece de cor, isole o vocal, treine entradas e saídas controladas antes de tentar usar isso ao vivo. Esses fundamentos de scratch, juggling e uso de stems em tempo real fazem parte do que é trabalhado nos cursos práticos da N9VE.
Vídeo de DJ Carlo. Todos os direitos reservados ao criador. Assista e siga: DJ Carlo no YouTube.



