Em entrevista, Gaurav Sharma, fundador da plataforma social de música Hook, descreve a proposta da empresa: permitir que fãs expressem-se com suas músicas favoritas criando conteúdo de usuário (UGC) que remixa faixas e sincroniza essas criações com vídeo. Segundo Sharma, esse conteúdo pode ser compartilhado em TikTok, Instagram, Snapchat e SoundCloud, e a Hook integrou tecnologia para atribuição quando os conteúdos são distribuídos fora da plataforma.
Sharma afirma que a Hook licencia um catálogo amplo e que sua abordagem prioriza a participação dos detentores de direitos: os rightsholders, segundo ele, têm controle sobre as criações, podem reivindicar conteúdos quando são compartilhados e recebem compensação quando suas músicas são usadas na plataforma. Ele classifica a confiança construída com artistas como diferencial competitivo.
A empresa relata crescimento de usuários ativos antes de uma rodada Series A de US$10 milhões liderada pela Khosla Ventures, elevando o total de investimentos da Hook a US$16 milhões, com participação de fundos como Waverley Capital, Point72 Ventures e Imaginary Ventures. Sharma cita que investidores trazem perspectivas complementares sobre IA e direitos musicais.
Sharma lista parcerias diretas de remix com nomes como The Weeknd, Lil Wayne, Metro Boomin e Empire of the Sun, e menciona acordos de licenciamento com editoras e selos como Downtown Music, Primary Wave, Avex, Too Lost e Glassnote Records.
Sharma apresenta três aprendizados que orientam a Hook: construir com artistas para gerar confiança; remover atritos para escalar a experiência; e adotar uma visão global desde o início, baseada na experiência anterior dele com Saavn/JioSaavn. Esses pontos, segundo ele, estão incorporados ao produto da empresa.

A Hook se posiciona como uma camada criativa aberta que permite aos usuários fazer criações licenciadas dentro da plataforma e depois distribuir esse conteúdo para outras redes onde já passam tempo. A empresa afirma ter integrado-se diretamente com essas plataformas e ter tecnologia para atribuição, para que rightsholders mantenham controle, atribuição e monetização das criações.

Para Sharma, a criação de fãs transforma consumidores em participantes ativos: remixes e reinterpretacões funcionam como portas de entrada de audiência para artistas, especialmente emergentes. Ele argumenta que essas criações devem ser tratadas economicamente, não apenas como promoção gratuita, e defende que o setor passe a reconhecer a 'consumo ativo' como categoria remunerada.
Sharma rejeita a ideia de que o uso do consumidor de música visa criar versões sintéticas para substituir artistas. Ele cita pesquisa da UMG segundo a qual grande parte dos ouvintes prefere filtrar música gerada por IA. A Hook, diz ele, foi construída desde o início com consentimento e identidade em foco, e a decisão de artistas em proteger voz e imagem confirma esse desenho.
Quanto ao futuro, Sharma prevê que a criação se torne tão comum quanto ouvir música e que surjam categorias entre artista e fã, profissional e amador. Ele afirma que, na visão da Hook, fãs já são criativos por natureza e que a questão real é construir experiências com a participação dos artistas para canalizar essa criatividade, preservando controle e criando novas oportunidades de engajamento.
Sharma observa também que a mudança estrutural necessária envolve reavaliar onde o dinheiro flui na indústria: enquanto o modelo atual remunera plays passivos, ele propõe tornar o consumo ativo uma categoria valorizada para que artistas e rightsholders recebam quando fãs engajam criativamente com músicas.



