Há cerca de nove meses, a Warner Music Group concordou em encerrar o processo contra a Suno, de Mikey Shulman, e fechou um acordo de licenciamento com a plataforma de geração de áudio por IA. Como parte do pacto, a Suno se comprometeu publicamente a limitar o número de downloads que usuários podem extrair da plataforma e a lançar um novo modelo totalmente licenciado, segundo declarações da própria empresa. Fontes ouvidas pela matéria indicam que a WMG também recebeu participação acionária na Suno como parte do acordo.

Na quarta-feira, 12 de agosto, a BMG anunciou um acordo global de licenciamento com a Suno e confirmou participação no desenvolvimento dos novos modelos licenciados da plataforma. A assinatura da BMG deixou Robert Kyncl menos isolado em sua abordagem negociadora diante do crescimento da Suno.

Enquanto WMG e BMG optaram por negociar, Universal Music Group e Sony Music Group seguem em litígio ativo contra a Suno, por meio da RIAA, acusando a plataforma de infração massiva de direitos autorais. Essas gravadoras podem contestar a ideia de que a Suno já tenha 'se tornado legítima', citando decisões judiciais desfavoráveis à plataforma, como a derrota contra a GEMA na Alemanha no início do mês.

Em entrevista ao podcast Mixed Signals, da Semafor, Kyncl argumentou que, quando um serviço de IA musical conquista audiência e se mostra disposto a migrar para um modelo licenciado, é preferível 'abraçar' essa transição. Para ele, um serviço com tração de usuários oferece a oportunidade de construir um regime licenciado com um líder de mercado em rápido crescimento, em vez de tentar extinguir a plataforma judicialmente.

Kyncl alertou que, se as gravadoras conseguirem derrubar plataformas não licenciadas, os usuários simplesmente migrariam para alternativas, possivelmente modelos de código aberto ou serviços hospedados em jurisdições difíceis de alcançar, o que, segundo ele, seria ruim para artistas e compositores. A observação incluiu menção implícita a serviços na China, onde integrações como a da DeepSeek com plataformas da Tencent Music apontam para avanços da IA no mercado local.

Kyncl, que foi chief business officer do YouTube entre 2010 e 2022, comparou os embates com a Suno às tensões iniciais entre a indústria musical e o YouTube. Ele disse que enxerga a IA como 'UGC (conteúdo gerado por usuário) turbinado', porque, ao contrário do UGC tradicional, a IA modifica o conteúdo musical, tornando o tema mais desconfortável e exigindo regras mais rígidas.

Kyncl afirmou que, até agora, músicas geradas por IA que alcançaram posições baixas em paradas não o tiraram o sono, mas reconheceu que a evolução rápida da tecnologia pode alterar esse cenário. Ele citou como risco a proliferação de grande volume de 'música mediana' que consumiria tempo de audição passiva e reduziria a fatia do ecossistema da qual artistas e compositores recebem pagamento. As negociações da WMG, segundo ele, focam nesse impacto junto aos serviços de streaming.

Questionado sobre o que faria se estivesse no comando da Netflix, Kyncl sugeriu que a empresa não precisaria comprar um serviço de música. Em vez disso, defenderia licenciar o mesmo conjunto de músicas que o YouTube licencia, criando uma seção dedicada à música na plataforma, impulsionando consumo e conteúdo original em cima disso. Ele disse que essa alavanca de conteúdo na música faz falta à Netflix no embate com o YouTube.




